ANTÓNIO DE SOUSA DIAS

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Entrada Electroacústica Natureza Morta com Ruídos de Sala, Efeitos Especiais e Claquete

Natureza Morta com Ruídos de Sala, Efeitos Especiais e Claquete

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Ao António de Macedo
Suporte (2 canais)
1997 — Estreia: Ciclo Músicas Electrónicas, Fundação de Serralves, Porto, 9 de Novembro de 1997.
Dur: ca 8:00
Obra dedicada a António de Macedo, este estudo electroacústico é uma homenagem ao cinema. Nesta arte, a sétima de seu número e ao realizar a denominada banda sonora, é comum agrupar as diferentes bandas de som em grupos como diálogos, música, ruídos de sala e efeitos especiais. Se bem que os dois primeiros não colocam muitas dúvidas quanto ao seu possível conteúdo sonoro, os dois últimos revestem-se de um interesse particular uma vez que ruídos de sala designa tudo aquilo que é gravado/realizado em estúdio (passos, abertura e fecho de portas, sons de vestuário, copos, chávenas, etc.), efeitos especiais designa tudo aquilo que pode ser obtido em bibliotecas de sons (chilrear de pássaros, sons de automóvel, ventos de vária ordem, etc.). Isto significa que os sons não são classificados quanto ao seu conteúdo, mas sim quanto à sua proveniência no sentido da produção. Acresce ainda o facto de muitas vezes o corpo sonoro não ter relação com a imagem a acompanhar pelo facto sonoro produzido. Quem diria que um bom som de chuva se pode obter vertendo arroz num tacho?
Este estudo parte do princípio complementar. Se se pode criar a ilusão de algo, esta também pode ser desfeita ou tornada visível. E se um som associado a uma fonte se transformar ou evoluir para outro semelhante quanto às suas características sonoras mas associado a uma fonte distinta? Esta é a proposta base de natureza morta, morta apenas no sentido que os sons escutados são retirados do seu contexto imagético habitual e transferidos para uma outra realidade...
A claquete, símbolo do sincronismo entre som e imagem em cinema é aqui metafórica e poeticamente expressa pelo metrónomo.

António de Sousa Dias

Nota de realização
Como curiosidade técnica complementar, refiram-se dois aspectos:
O primeiro, a evidente reverberação, a qual pelo facto de ser cruzada com o som que lhe dá origem, se destinar à criação de uma dinâmica de tensão (mais que a criação de um espaço ou funcionar como mero efeito globalizador).
O segundo, o facto da única manipulação empregue ser a montagem (melhor: corte, colagem, montagem e mistura). De resto, e salvo um único som que é retrogradado, nenhum som foi alvo de tratamento sonoro.