ANTÓNIO DE SOUSA DIAS

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Entrada Cinema-Audiovisual Refléxion faite...

Refléxion faite...

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Filme de animação
Realização: Isabelle Tripelon
Encomenda do CNBDI/LIN
Estreia: Paris Fest Nova Mús. Dez 2004
Dur: c 5:00
Notas sobre a música
« Refléxion Faite... », filme experimental de animação (duração aproximada de 5 minutos), realizado por Isabelle Tripelon (Angoulême, CNBDI/LIN), no quadro de uma residência, foi iniciado em Outubro de 2003 e terminado em Julho de 2004.

A pesquisa de articulações entre imagem e som partiu de alguns princípios gerais aos quais não são alheios nem as obras compostas no mesmo período (Ressonâncias-Memórias e Trois chansons inachevées) nem a experiência adquirida com « Nature Morte / Stilleben » (2003-2005).

Esses princípios gerais poder-se-ão enunciar da seguinte maneira :
  • Num filme como este, de carácter abstracto e sem qualquer intenção narrativa, o som irá contribuir para a construção de um espaço no qual a imagem se constitui ; 
  • O som não tem de servir de suporte à imagem no sentido de lhe conferir plausibilidade, nomeadamente, através de sincronismo ; 
  • A noção de que a música deverá ser um elemento que assegure a continuidade quebrada pela montagem não tem de ser respeitada ; 
Tal não deve impedir, porém, que a música se relacione intimamente com a imagem. 

Estes princípios foram explorados na construção da música da seguinte forma :
Em primeiro lugar, procurámos criar um mecanismo de ligação subjectivo com a imagem que nos permitisse um quadro conceptual e técnico onde elaborar a música. Em segundo lugar, o método de trabalho que consistiu na criação de sequências sonoras.
Quanto ao primeiro aspecto, as duas características que nos chamaram imediatamente a atenção sobre o trabalho de Isabelle Tripelon foram, para além do extremo rigor e pormenor de construção, a energia expressa através de movimento e a riqueza de texturas. Assim, procurámos criar materiais sonoros que mantivessem um equilíbrio com os aspectos visuais, através de situações sonoras igualmente ricas do ponto de vista de textura e com um carácter enérgico mesmo quando em situações aparentemente mais calmas.

Isto foi conseguido através da manipulação de sons base por nós escolhidos e misturados:
  • quer com transformações deles mesmos; 
  • quer com diferentes ressínteses de análises desses mesmos sons; 
  • quer com transformações dessas análises-ressínteses através de filtragens baseadas em alguns desenhos ou fotogramas de Tripelon. 

Quanto ao método de trabalho, numa primeira fase, este consistiu em trabalhar sequência a sequência, isto é, em aplicar material musical a cada uma das sequências visuais. Numa segunda fase, este material musical foi desligado das sequências originais a que se destinava, e com base na disposição final das sequências, foi de novo aplicado, agora já não numa perspectiva de sequência a sequência, mas numa perspectiva de aplicação global. Deve-se mencionar que este aspecto acarretou as suas consequências, na medida em que no filme não se encontram algumas das sequências sonoras originalmente concebidas para algumas sequências, ao passo que outras acabaram por ser repetidas, outras ainda sobrepostas e remisturadas, quer como contraponto a determinadas situações visuais quer como imperativo dado o resultado global.

António de Sousa Dias

Novembro de 2004
Actualizado em Sábado, 09 Maio 2009 23:23