ANTÓNIO DE SOUSA DIAS

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Entrada Teatro-Música ...há dois ou...

...há dois ou...

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Espectáculo imaginado e concebido por António de Sousa Dias.
Textos e obras de Sousa Dias, Capdeville, Lopes-Graça, Peixinho, Berio, Macedo, Pessoa, Breyner Andresen, Almada, entre outros.

Estreia: 24 de Junho de 1998, Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna (ACARTE)
Duração: 50 minutos (aprox.)

Participantes
João Natividade - Movimento
Luís Madureira - Voz
Olga Prats - Piano
Pedro Wallenstein - Contrabaixo
António de Sousa Dias - Percussão
Clemente Cuba - Desenho de luzes

Sequência
Prólogo
Cena 1 — Aquarius
Cena 2 — Pró-Verbo; Cocktail Ambrósia; Meu cérebro fotográfico #1; Ai, ai
Cena 3 — A Árvore do Desejo/Dobragem; Meu cérebro fotográfico #2; Zap
Cena 4 — Komm, tanz mit mir!; Un Rato de Tiempo #1 e #2; Já chega
Cena 5 — Al-maden; A Verdade não; 093; Meu cérebro fotográfico #3; Aquela senhora tem um piano; Un Rato de Tiempo #3
Cena 6 — Porno-Rato
Cena 7 — Um Quadrado em Redor de Sindbad (Ommaggio)
Cena 8 — “O Corpo por Conta de Outrém”
Cena 9 — Olha, olha; hás-de dizer; Turn off

Notas
No ano em que se comemoram os oceanos, pareceu lógico o dedicar de um espectáculo à água (H2O). No entanto, e de forma divertida mas insidiosa, desde logo este tema tão amplo se viu reduzido nos seus aspectos mais evidentes. Tomou também a forma de metáfora para, em seguida, conduzir a uma espécie de tema catalisador à medida que desencadeava outras sugestões, algumas, até, com relação remota com o propósito inicial.

Este aparente desrespeito justifica-se na medida em que o próprio título apresenta uma rede muito rica de possibilidades. Trata-se de um excerto de afirmação ou interrogação? Ambiguamente é sugerida uma triplicidade dada a referência ao “dois”: há dois, sim ou não? E se não, é/são mais ou menos? E acima de tudo, dois quê? ... ou quem?

A água como conceito é uma, mas por vezes referimo-nos a diferentes águas. Esta apresenta-se em vários estados. Mesmo a sua condição de única, torna-se dois ao pensarmos que basicamente se constitui de Hidrogénio e Oxigénio, mas estes elementos estão em quantidade de três. Do ponto de vista da criação, também não me parece uma questão pacífica. Ao transpormos a relação sujeito-objecto para o domínio criador-obra, estes, em certo momento nos parecem indissociáveis mas, logo a seguir, e sobretudo no caso de música, surge um terceiro, o executante. Mesmo pensando que aqui há dois (compositor e executante), o circuito não se completaria sem o ouvinte...

Esta relação um para/de dois para/de vários (ou mesmo nenhum) encontramo-la também na ideia de heterónimos, ou na ideia de versão de obra: há duas ou... Encontramo-la também nas ideias de espelho (há dois ou...), proporção, ritmo, dia-a-dia, na tele ou video-conferência, na internet, nos canais de televisão, e assim por diante.

Assim se integra “...há dois ou...” nesta cultura do dois-em-um, de um permanente vai-e-vem entre global e local, uno e múltiplo, neste permanente zapping. De uma forma divertida, é um convite a que também se coloque a questão: no fim de contas quem telecomanda quem ou... o quê?

Afinal... há dois ou...

Lisboa, Março de 1998

António de Sousa Dias
Actualizado em Sábado, 09 Maio 2009 22:46